Olga Roriz, da Inspiração à matéria


Portugal Dorme Enquanto Dança

A tarde estava a descer e a temperatura subia em despique com as gotas que me caiam da testa, ansiedade e pé no pedal, faltam sete minutos para a hora marcada da entrevista e estou dentro do carro caminho ao Rossio, onde vive a coreógrafa que vou entrevistar. Ainda tento ligar à Vanessa, uma amiga, que é um furor em comunicação e esperava ouvir um eco de força, mas do vazio só aparece a sombra em forma de vulto a dar sinal à voz fantasma do voice mail.

Uns dias antes apaguei as mensagens do telemóvel, incluído a mensagem com a morada da entrevistada, sem saber qual o número da porta, envio um sms a informar que chegarei ligeiramente depois da hora combinada, e aproveito para confirmar o local de destino - a residência de Olga Roriz (O.R.).

Dois segundos após o envio da mensagem recebo outra, e era exactamente a mesma que tinha enviado. Weird... tinha gravado o meu número no nome de O. R., o stress sobe o calor não ajuda e a ansiedade só complica, o telefone toca, não sei onde está o auricular, não posso atender porque conduzo, recebo mensagem e o telemóvel volta a tocar, não atendo, estaciono o carro saio do parque a correr o telefone toca é de um numero que não tenho registado, acredito que seja a O.R., atendo, Bingo!!! É ela, peço desculpa, confirmo a morada e informo que estou em cinco minutos em sua casa.



Toco na campainha, olho ao meu redor para tentar enquadrar o ambiente que envolve a casa de O.R., a porta abre, tento conter a respiração ofegante, dou um beijo, dois beijos ou um aperto de mão, as gotas escorrem, não tenho lenço para as enxugar, dou um beijo ou dou dois? Não fiz a barba, as mãos estão escorregadias, a barba pica, uma mochila pesadíssima e uma mala com o Kit fotográfico a pesar-me o ombro direito, as costas quentes, a porta fecha-se e saem instintivamente dois beijos e um sorriso e uma paz que acalma o meu olhar curioso, o ambiente é acolhedor, um odor a incenso que adoro, do piso superior o som acolhe qualquer alma que se aproxime.

Subimos em silêncio, comento que o som é muito bom e pergunto quem é, Térez Montcalm, álbum Voodoo, e assim ao som de um ritual de palavras e com movimentos contidos surge a nossa conversa, protegida pela muralha fernandina que dá vida à sala, sinto uma onda fresca, que bom, há uma ventoinha enorme ao fundo da sala, sento-me de costas para o ar que alivia…

O.R., é uma mulher com um carácter forte, define-se como dramática, romântica, dura e analítica, consciente, tem a estética à flôr da pele, e o corpo é muita pele e o seu sentir tem uma enorme dimensão, " Sou muito instintiva, dramática, intuitiva, muito apaixonada. Estes últimos anos aprendi uma coisa que é o lado de humor que tinha só na minha intimidade."
Muitos não a conhecem nem a sua obra, outros devoram-na com críticas que orgulham Portugal por a ver dançar ou dirigir a sua companhia que já conta com treze anos de existência. Tem um charme incalculável e o seu mérito tem sido premiado pelo mundo fora. Subiu todos os degraus sem sobressaltos, fez dança clássica na Escola do T.N.S.Carlos e no conservatório, passou pela dança moderna, dançou no Ballet Gulbenkian, foi directora da Companhia de Dança de Lisboa, e por mais (des)conhecimento que se possa ter na área da Dança, a Coreografa e Bailarina tem e muito justamente o nome bem sólido como um fresco romântico, que nem o tempo apaga, o tempo apagará apenas a ideia que a coreógrafa tem relativamente à insegurança, “Sou uma pessoa muito insegura cada vez mais insegura, quando me faltar a insegurança eu acho que acabei.”


Colheu de perto, desde que nasceu, influências artísticas, primeiro com a sua mãe, que era actriz amadora, e mais tarde na sua adolescência quando esteve no T.N.S. Carlos, no Ratinho da Ópera dos 8 aos 18 anos, onde respirou todo o universo das temporadas de Ópera e Bailado. Desenvolveu relações com actores, cantores e bailarinos que lhe ofereceram uma visão ampliada e mais completa do campo das artes, o facto de estar no meio de grandes construções cénicas, figurinos, corpo, voz e movimento, acredito que tenham contribuído para a inovação que se assistiu na dança, criando em Portugal o movimento “dança teatro”.

Apesar de se considerar uma criança e de viver num mundo de ilusão, no seu próprio mundo, tem um elevado sentido de profissionalismo, e esse sentido acompanha-a em todos os movimentos da sua vida, dos amigos que são também pessoas com quem trabalha, aos discos que ouve que são sempre uma pesquisa para trabalho, aos livros que lê como influência para a dramaturgia da sua obra, é uma vida dedicada à beleza dos gestos, é a oferta de uma vida a um público que a venera.

Talento tem de sobra e usa-o muito bem na forma como o articula no seu trabalho. A sua obra é sempre uma espécie de desafio, é fragmentada, como afirma, apesar de ter sempre um princípio, meio e fim, "eu procuro-me a mim a minha maneira de estar, a minha maneira de ser, as vezes encontro-me, muitas vezes sem me procurar, muitas vezes as coisas acontecem, e são maiores do que eu. "

Comparada recorrentemente à directora do Tanztheater Wuppertal, a nossa dama de movimentos revela que já tinha iniciado a sua carreira como coreógrafa quando descobriu a Pina Bausch, com a qual ainda hoje mantém uma relação de amizade, "Ja me tinha lançado como coreógrafa, e não sabia quem era a Pina Baush, e quando fui à Holanda fazer um trabalho, tive contacto com a Sagração da Primavera, e nessa altura pensei , desisto, mas isto é o que quero fazer, isto é maravilhoso, é um rejeitar e ficar presa, a Pina Bausch deu-me força, é possível fazer coisas assim. "

Com grande entusiasmo fiquei a saber que a peça Inferno marca a nova fase da coreógrafa, onde o seu trabalho está repleto de bom humor, “Descobri a matéria do absurdo, começou a ser uma materia de trabalho, que encontrei passado não sei quanto tempo, e é pelo absurdo que aparece o humor.”, por outro lado marca a sua estética sendo este trabalho reflexo de uma exaustiva e exigente temporada de ensaios, nove meses, onde todos os movimentos foram esculpidos pela bailarina e coreógrafa, injectou a sua linguagem na forma como expressa as suas emoções e sentimentos. “Para que eles procurem os movimentos na minha linguagem, tenho que injectar, o inferno é quase todo coreografado por mim, não posso recuar do que gosto”.

O trabalho irá entrar em digressão este mês, pena não estar num espaço físico residente, é uma matéria que indigna bastante a O.R. e a todos nós também, não existir um espaço dedicado à dança contemporânea e com subsídios ajustados, e não haver a disparidade financeira existente entre o teatro e a dança, sendo duas artes que se complementam, afirma.

Abençoada pelo Padre Cruz, que é seu ascendente familiar, a coreógrafa recebeu uma ilustre encomenda que é produzir um espectáculo com uma dimensão imensa, coreografar para Viana do Castelo, cidade onde nasceu, uma peça em homenagem à Nª Sr.ª da Agonia.

A força revela-se ainda maior quando a sua humildade dispara "Acho sempre que podia chegar (sempre) mais longe … ".

43º Festival de Sintra

" Quando partires para Itaca, o importante quando lá chegares, não foi teres lá chegado, mas o que viste no caminho" Constantine Cavafy




Sintra é a cidade portuguesa que acolhe o 43º Festival de Sintra, e tal como no ano anterior, faz parte deste festival um ciclo de dança com apresentação de 4 companhias de dança, 3 internacionais e 1 nacional. Esta apresentação, que está inserida num dos melhores festivais de Dança Europeus, decorrerá de 30 de Maio a 13 Julho em vários locais na cidade de raízes poéticas, considerada património Mundial da Humanidade.

Já habituados à programação ecléctica, rigorosa e sempre com a amplo objectivo de chegar a vários públicos, Vasco Wallenkamp, aposta numa programação rica e diversificada apresentando-nos, em primeira mão, o trabalho das melhores companhias de ballet contemporâneo da Europa.

Houve um episódio na minha vida em que aprendi um ensinamento que jamais esquecerei. Estávamos em pleno Verão, num passeio matinal de Domingo, quando o meu grande amigo Ricardo me despertou para uma realidade que desconhecia: saber ouvir o que as árvores nos dizem. À partida pode parecer insanidade, mas não é. As múltiplas linguagens que existem fazem parte do universo, e as companhias que o festival nos apresenta trazem, também, parte dessa pluralidade e diversidade de comunicação que é também o amor, o amor através do gesto, tal como grandes poetas que passaram por Sintra o fizeram. Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Lord Byron, imortalizaram a cidade que, ainda hoje, faz parte do romantismo que há em nós e ouviram todo esse amor e o transcreveram para papel, em palavras que ainda hoje todos nós professamos, lembramos, ensinamos e, pelas quais, na maior parte das vezes, ansiamos desesperadamente. Quero continuar a ouvir e a ver a pluralidade do amor.









Maribor Ballet (Sloven National Theatre) | ESLOVÉNIA
Director Artístico: Edward Clug

Maribor Ballet (Sloven National Theatre), sob a direcção de Edward Clug, traz a Sintra a magnífica obra Radio e Juliet, é a união da mais famosa história de amor de todos os tempos com a música de uma das mais bem sucedidas bandas da cena rock alternativo contemporâneo Inglês, Radiohead.

Radio e Juliet eleva-nos para temas que aparecem várias vezes ao longo da história da humanidade: o amor, o ódio, a morte, a intolerância, a esperança e a violência. Trata-se de uma incessante e intemporal história.

Como Edward Clug explica: "Poderíamos dizer que o ponto de partida do nosso espectáculo é no momento quando Julieta vê Romeu morto, deitado perto dela; e para ser mais preciso, mais adiante a evolução é contrária, num género de retrospectiva de amor não concretizado.".

Auditório Olga Cadaval | 13 - 14 Junho às 21h30 | reservas (+351) 219 107 110






Scapino Ballet Rotterdam | HOLANDA
Director Artístico: Ed Wubbe

Scapino Ballet Rotterdam é a companhia de dança contemporânea residente em Roterdão, bem como a companhia de dança mais antiga nos Países Baixos, que regressa ao festival de Sintra para mais uma vitória de audiências.

Podemos assistir a De Bruiden (As noivas) e Nicht Zutreffendes Streichen, coreográfias dirigidas por Ed Wubbe, director Artístico da Scapino, desde 1992, que criou mais de 25 obras para a sua companhia, e ainda Der Rest ist Schweigen (O resto é sil|encio), de Marco Goecke.

Com um repertório versátil, criativo e altamente eficaz e com um elenco fenomenal, Scapino Ballet estabeleceu-se como uma das mais conceituadas companhias de dança Holandesas.

Auditório Olga Cadaval | 20 - 21 Junho às 21h30 | reservas (+351) 219 107 110



Companhia Nacional de Bailado | PORTUGAL
Director Artístico: Vasco Wellenkamp

A Companhia Nacional de Bailado encerra o festival de Sintra, apresentando uma trilogia coreográfica que, para mim, representa a fusão de três elementos humanos: o intelecto, o instinto e a intuição.

São três peças magnificas, Front Line de Henri Oguike, Cantata de Mauro Bigonzetti, e o meu destaque para a mais recente coreografia de Vasco Wallenkamp, Lento para Quarteto de Cordas, com música de Anton Webern.

O coreógrafo apresenta neste trabalho o amor de uma forma pura, intensa e sublime. Faz-nos sentir a amplitude do amor e a felicidade que esse mesmo nos traz. A cenografia é simples e quase que nos faz acreditar, por breves instantes, que "amor e uma cabana" são suficientes para se viver uma felicidade plena, e um grande (des)amor.

Auditório Olga Cadaval | 04 - 05 Julho às 21h30 | reservas (+351) 219 107 110

Feminine | coreografia de Paulo Ribeiro




A Culturgest co-produz a criação de 2008 de Paulo Ribeiro – Quinteto de mulheres, que terá como ponto de partida textos de Fernando Pessoa do Livro do Desassossego e dos Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal à semelhança de Masculine – a criação de 2007.

Cinco mulheres e Fernando Pessoa. Um Pessoa no feminino e de saltos altos. As palavras do poeta desafiam as delas, que se deixam perder pelas suas próprias narrativas. A poética do movimento feminino percorre a peça, misturada com o ardor colocado em cada gesto. Neste universo pessoano elas preocupam-se com o cabelo, usam saltos altos, desdenham do homem e dançam com os corpos que transpiram sensualidade. O movimento é contido, escorreito e desagua num prazer prolongado. E este espaço de sensações é apenas interrompido pela força maior do coreógrafo, de brincar com as suas criações, de as colocar a rir de si próprias.
Feminine explora o imaginário pessoano, desta vez, a partir do olhar de cinco mulheres, quatro intérpretes de dança e uma actriz. Depois de Masculine, que estreou no ano passado, Paulo Ribeiro descobre um Pessoa no feminino, explorando mais uma vez as diferentes qualidades das intérpretes. A bola de futebol deu lugar aos saltos altos e a energia masculina ao belo estético, que emociona, que marca e não passa.


Culturgest – Grande Auditório | 10 - 11 Junho às 21h30 | reservas (+351) 217 905 155

Inferno | coreografia de Olga Roriz



É no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), em Guimarães, numa aposta assumida de tornar a area performativa um dos eixos fundamentais da programação do espaço cultural vimaranense, que a Coreógrafa Olga Roriz apresenta ao mundo o seu novo trabalho.

“Inferno” – a mais recente criação de Olga Roriz e a 22ª produção da sua companhia – tem estreia absoluta no Centro Cultural Vila Flor. Contradizendo o título, segundo Olga Roriz, neste espectáculo o pecado não é punido.

Este projecto, singular, é um caminho interior e iniciático, polvilhado de tristezas, ironias e reconciliações. A ideia de musical, como em “Paraíso” (2007), continua presente mas com um olhar ainda mais distante. As vozes unem-se em hino ou em canções de amores solitárias. Os anjos transformam-se em bobos que dançam e falam sobre alguns de nós. Tudo o resto é para ser descoberto a cada passo, em cada palavra e em cada som.

Centro Cultural Vila Flor – Grande Auditório | 21 - Junho às 22h00 | reservas (+351) 253 424 710

Eu “Not” Pessoa | coreografia de Rita Galo

“I know not what tomorrow will bring.“ Fernando Pessoa




A Companhia de Dança de Almada estreia este mês, Eu “Not” Pessoa, o mais recente trabalho da Coreógrafa Rita Galo.

É exactamente no mesmo dia em que se comemora o 120º aniversário do poeta, escritor e tradutor que o Teatro Municipal de Almada abre a cortina e relembra uma das figuras centrais da literatura portuguesa, através de uma linguagem universal, a expressão corporal e física.

Libertador de palavras e visões tão abrangentes, das quais ainda hoje vivem em nós, Fernando Pessoa é o ponto de partida para o trabalho desenvolvido pela coreógrafa e bailarina Rita Galo.

O ponto de partida para esta homenagem é o último verso do poeta, “I know not what tomorrow will bring.“, onde se exploram quatro personalidades dentro do mesmo ser. Observar os hábitos e as características físicas bem como analisar como uma personalidade inflûencia o estar, o sentir e o actuar são o objectivo da mais recente produção da C.D.Almada.

Teatro municipal de Almada | 13 Junho às 21h30 | reservas (+351) 212

Alkantara Festival | mundos em palco

“Às oito horas estava tudo terminado e nada mais restava a não ser, como sempre, e em qualquer outra noite, a escuridão.” Giuseppe di Lampedusa







Lisboa acolhe um dos mais prestigiados festivais de dança europeus, Alkantara Festival,
considerado pela maior parte da comunidade artística um evento que contribui para uma visão e cruzamento de experiências. A diversidade de propostas não surge do fascínio pela diferença exótica, mas procura criar diálogo com artistas que comunicam uma visão alternativa do mundo em que vivemos. Cada olhar é inevitavelmente informado e afectado pelas experiências individuais e culturais, mas mantém sempre o potencial de as ultrapassar. Assim a diversidade torna-se uma oportunidade para multiplicar ângulos de visão e um convite para nos aventurarmos numa viagem para além dos limites do nosso dia-a-dia.

Com o quotidiano infernal e massificado em que vivemos onde tudo é um padrão a seguir, há que estender esse conceito e cortá-lo pouco a pouco, apagando assim a crueldade eminente . Há que levantar as barreiras e exigir tudo a que temos direito, a mais perfeita combinação paralela e individual dos instantes da nossa vida.

Shakespeare em Hamlet escreve num determinado momento uma frase que é um exemplo perdido, mas muito precioso e que deveria estar sempre presente na mente de todos nós. Quando a Rainha, mãe de Hamlet, diz que ele lhe partiu o coração em dois, o jovem príncipe da Dinamarca responde “Deitai fora a metade pior, e vivei mais pura com a outra metade.” Essa é a metade que o festival Alkantara oferece a Lisboa, purifica o ar cansado, rotineiro e (des)obediente das traças humanas, trazendo vivências, experiências e histórias dos cinco continentes, é como a importação no tempo das descobertas, as trocas, os cheiros, a partilha, mas também a invasão de novas culturas dando lugar a um novo conhecimento e a um plano emergente de evolução.

As puras essências afectivas trazidas pela diversidade de mais de duas dezenas de nacionalidades modulam-se numa linguagem transversal onde existe espaço e tempo para aspirar e contemplar. As apresentações são uma concepção de arte expressa como um meio e um método de interpretação do mundo, o código que dá acesso à sua compreensão.



A expressão criativa apresentada no festival é na maior parte dos espectáculos reivindicativa da sociedade em que vivemos. São as memórias que vivem no hálito dos rostos vincados da manhã. É a vontade de criar e transformar a ansiedade perante a falta de comunicação, quando nos queremos fazer perceber, na mais verdadeira essência, ou mesmo na interioridade do silêncio que nos faz descobrir quem somos, o que pensamos e o que temos para dizer.


A excedente (des)valorização da natureza e do natural, onde tudo é descartável, artificial e de fácil aprumo, incluindo também a imitação de vida, é tão fácil e sufocadamente deprimente.

Mas estamos vivos e despertos e os criadores que o Alkantara Festival apresenta são os corpos que vivem numa missão intercultural de linguagem e harmonia, são o alimento dos Deuses. Fazem-nos sentir e mostram de uma forma pura, crua e despojada de articulações subversivas, todo o amor que ainda existe no mundo e o que a falta dele provoca. Afinal, o amor é como as ervas daninhas, reproduz-se sem nenhuma razão específica e é incombatível por meios naturais.

O Alkantara cria em forma de amostra as possibilidades do amor infinito e como ele nos desperta para a sensibilidade.



As obras apresentam um carácter contemporâneo e real, um novo estilo de sofrimento e angústia individual, sentimentos provocados pelo hipócrito colectivo social. É através desse sofrimento que o homem acede à realidade e a si mesmo. Aceitar a dor, o sofrimento e o absurdo da existência, através da arte, que surge, assim como consolação para uma vida possível e agradável.

O Alkantara Festival transforma e amplia a nossa existência.

Alkantara festival | 22 Maio – 18 Junho | informações (+351) 309 978 184
programação | www.alkantarafestival.pt

BAHOK | AKRAM KHAN COMPANY AND NATIONAL BALLET OF CHINA


For nomads, home is not an address, home is what they carry with them.
(John Berger, Hold everything dear)


Com o próprio nome do director a Akram Khan Company apresenta-se este mês no Centro Cultural de Belém para trazer a palco o seu mais recente e galardoado trabalho. Bahok é uma co-produção da companhia do coreógrafo com o Ballet Nacional da China.

Depois dos duetos com Sidi Larbi Cherkaoui (Zero Degrees) e Sylvie Guillem (Sacred Monsters). Setembro é a data prevista para a apresentação do novo trabalho de Akram Kahn em Londres. O coreógrafo e bailarino britânico denuncia Juliette Binoche e entrega-a ao universo da dança contemporânea.

O Ballet Nacional da China explora o lado técnico da dança moderna Ocidental e a tradicional dança sul asiática do Kathak. Os bailarinos são de diferentes culturas, tradições e correntes de dança diversas, Chineses, Koreanos, Indianos, Sul Africanos e Espanhois. A palete de estilos e tradições deste elenco sugere a versão actual da parábola da Torre de Babel. Juntaram-se para dar voz e corpo a um projecto utópico. Tentam comunicar e partilhar as coisas que trazem consigo: as suas experiências, as suas memórias, os sonhos, as ambições que os movem. São carregadores. São bahok.




A composição da banda sonora é originado compositor Nittin Sawhney (Mercury Award ) com um reconhecimento mundial e muitos milhões de cópias vendidas o compositor projecta sons com influências chinesas e indianas que tão bem agarram as cores que vestem os 9 bailarinos. A explosão de cor do guarda roupa, adereços e a direcção de arte é o trabalho de uma Visual Artist de origem chinesa.

CCB - Grande auditório | 30 - 31 Maio às 21h00 | reservas (+351) 21 361 24 44

Holeulone

Os corpos completam-se e abandonam-se.




Holeulone imiscui-se no mundo interior, psíquico de um homem conturbado, nos seus pensamentos e mudanças de ritmo, nas suas memórias reais e imaginárias, na clareza e confusão das suas percepções. Num dado momento, o seu irmão gémeo surge – um género de intimo historiador tão semelhante a ele próprio que se torna insuportável. A coreógrafa Karine Ponties trespassa as dificuldades para o publico fazendo-o sentir o universo mental do homem, confuso acelerado com os ressentimentos pensados no imaginário real. É o desespero do quotidiano mental do homem. Os dois bailarinos lutam consigo próprios, lutam entre eles, interagem e ou rendem-se. A complexa intimidade do seu dueto é reflectida não apenas na sua fiscalidade e movimento mas também nas imagens projectadas, que submergem os bailarinos durante o espectáculo. O espectador junta-se a eles à beira do abismo disforme de um sonho

Este projecto pivot continua a pesquisa à volta da ligação entre movimento e imagem, dando vida aos espectaculares desenhos a tinta de hasselt, e integrando-os directamente no espectáculo através de animação de vídeo.






Este espectáculo marcou profundamente o universo da dança no ano passado. Com movimentos que respondem a uma dança artesanal, com uma precisão espectacular, Holeulone é uma riqueza perturbadora. Karine Ponties após residência no Théâtre Les Tanneurs, explora o corpo em toda a sua complexidade , atinge os limites e alcança a diversidade. Em Outubro, holeulone recebeu o prémio de melhor performance de dança 2006 | 2007 do Júri de críticos da comunidade francesa da Bélgica.

A partitura musical ao estilo de Dominique Pauwels cria em cada frame uma memória onírica e poética, o set design é uma colaboração com o artista plástico Thierry van Hasselt.
O espectáculo é levemente inspirado em Charlie, o herói simples, espevitado e enternecedor, de flowers for Algrnon, o romace de Daniel Keyes, publicado em 1959.

Teatro Garcia Resende | 16 - 17 Maio às 21h30 | reservas (+351) 266 899 856 / 7

Kiosko de Almas Perdidas

As Almas que se encontram para lá do que é ortodoxo.





Após uma longa estadia em Bruxelas, Robert Oliván, trabalhou como interprete e criador ao lado de grande nomes do cenário internacional da dança como Anne Teresa de Keersmaeker, Trisha Brown e Josse Pauw.

Este mês recomendo Kiosko de almas perdidas. é uma colaboração entre o Centro Coreográfico Galego e o fundador da companhia Enclave Dance Company, Robert Olíván. A sua nova produção para onze bailarinos seleccionados numa audição celebrada na Coruña e Barcelona formam o elenco deste espectáculo quase fúnebre, pela interioridade encontrada e a verdadeira expressão das onze almas que divagam.

É um espectáculo híbrido muito bem dirigido, cria um cenário mágico onde existe lugar a várias expressões artísticas, dança, teatro, musica ao vivo, vídeo animação e ilusionismo, esta quebra de barreiras e cruzamentos de diversos campos das artes não é inovador mas o coreografo fá-lo de uma forma pós-contemporânea.

Kiosko das Almas Perdidas é uma história coreográfica onde o cenário se converte no reflexo da situação metafórica da expulsão de pessoas desenquadradas e abandonadas da harmonia universal. Esta recente produção inspira-se num bairro situado na cidade de Vigo onde existe um cruzamento de pessoas de todas as classe social e intelectual. Esta situação cada vez mais emergente obriga-as a reorganizar-se e adoptar uma nova forma de sobrevivência.

Mercedes Peon oferece a voz a estas almas tão pouco ortodoxas e é acompanhada por acordeão e clarinete.

Teatro Viriato | 16 - 17 Maio às 21h30 | reservas (+351) 232 480 119

TMN | Kolmi

TMN | Luminosos

Transportes Publicos | Lisboa

Nariz Vermelho

BES | Cristiano Ronaldo

Sagres | Rock n' Boll

TMN | Classe

TMN | Classe

TMN | Krava

TMN | Karga

TMN | Kolmi